Este blog começou através de uma oficina para
escritores iniciantes, época em que postei principalmente comentários sobre
política nacional. Atualmente, como participante de um curso de pós-graduação de
Formação de Escritores, tornou-se um veículo de comunicação da minha experiência
com as palavras, pensamentos e emoções. Publico textos literários de minha
autoria, que às vezes, são enfeitados com minhas aquarelas. Traço alguns
paralelos entre Arte e Psicanálise. Sejam bem-vindos e deixem seus comentários.
Tem coisa na vida que parece errada, mas é acertada. Com um marido desses, qualquer mulher deveria fazer o mesmo. Eu ouvia uns gritos de vez em quando. Dele e dela. No dia seguinte, ela aparecia com os olhos roxos, inchados. Não sei se de chorar ou de apanhar. Acho que os dois. Ele mereceu o chifre que levou. Não agüentou. Lavou a honra com sangue, e matou o amante da esposa. Ele acabou com o pouco de alegria que existia na vida dela. Pelo menos, o cornudo não durou muito. Uns meses depois, adoeceu e morreu. Deve ter sido de culpa por matar um amigo. Feliz dela, que arrumou outro marido, bem melhor. Jó Joaquim. Um homem para nenhuma mulher botar defeito. Queria eu arranjar um marido desses. Seria uma santa mulher. Mas, quis o destino me deixar só. Eu nunca faria a loucura de arrumar um amante se tivesse casado com Jó. E ela arrumou. Que burra. Não sei o que deu na cabeça dela. Deve ter sido o fogo do Diabo. Ela cedeu à tentação. Eu nunca teria feito isso. Como a vida é injusta. Eu, tão correta, sem marido. E ela, embestiada, teve dois. Agora, parece que tomou juízo. Passou uns dias fora, se tratando de alguma doença. Devia ser dos nervos. De remorso. E voltou para Jó Joaquim. Estão sempre juntos e parecem apaixonados. Ah, como queria um Jó para mim.