Texto e Ilustração de 

Claudia Finamore 

 

Pedro morava numa aldeia chamada Bruma. Lá, todo o povoado vivia da plantação. Havia terras amarelo-carambola-madura e terras verde-kiwi-peludo.

O céu era de um azul bem forte. E o Sol era muito quente. Há tempos não chovia em Bruma. A plantação morreu. E a terra secou.

 

Já estava todo o povo com fome, quando Pedro teve uma idéia. Iria pescar. Mas, em Bruma havia a lenda da Névoa do Mar. Quem vai pescar, não volta mais, pois é engolido por uma névoa muito escura.

No dia seguinte, Pedro acordou bem cedo e preparou sua mochila para a viagem. Quando saiu de casa, encontrou seus amigos João e Daniel.

Contou a eles que enfrentaria a Névoa do Mar, e seus amigos ficaram espantados. Lembraram que o tatara-tatara-tatara-avô de Pedro foi engolido pela Névoa tempos atrás. Tentaram fazer com que o amigo desistisse da idéia, mas não conseguiram.

Então, Pedro correu até a beira do mar e entrou num dos barcos que há tempos não navegava. O mar estava cheio de peixes e Pedro conseguiu encher o barco. Estava muito feliz, pois todos do povoado comeriam até ficarem satisfeitos.

Pedro, entusiasmado com a pescaria, esqueceu-se do tempo. Seus amigos já estavam preocupados com tanta demora. João e Daniel encheram-se de coragem e navegaram em busca do amigo.

 

Enquanto isso, no local onde estava Pedro, o céu escureceu, o mar agitou-se e o vento balançou o barco. O menino ficou assustado, e com muita força, controlou as velas para que o barco não virasse.

A Névoa do Mar apareceu. Enorme. Ia do mar ao céu. A Névoa foi se aproximando, e Pedro ficou com medo. Ele tentou desviar o barco, mas o vento estava muito forte, empurrando-o na direção da Névoa escura.

Quando a Névoa já estava começando a engolir algumas madeiras do barco, Pedro avistou João e Daniel. Seus amigos acenaram para que ele pulasse na água e nadasse até o barco deles.

Ele não queria deixar os peixes para trás. Era a salvação do povoado. Mas, a névoa já tinha engolido mais da metade do barco. Então, Pedro pulou no mar. Nadou até alcançar seus amigos. Quando olhou para trás, seu barco já havia sumido. E junto os peixes.

João e Daniel voltaram para a aldeia felizes por terem salvo Pedro. Mas, ele estava triste por ter perdido os peixes que tirariam a fome do povoado.

Quando o barco aportou na aldeia, todos os outros moradores vieram saudar Pedro e seus amigos. Mas, o menino continuava triste e preocupado com a falta de comida.

Pedro pensou, pensou e pensou. Chamou seus amigos e contou-lhes seu plano. No dia seguinte, os três saíram bem cedo para navegar.

Com pressa, pescaram alguns peixes antes que a Névoa aparecesse. João e Daniel queriam voltar, mas Pedro insistiu em ficar, pois os peixes ainda eram poucos para todo o povoado.

Continuaram a pescaria por mais algum tempo, quando começou a ventar mais forte. As velas se descontrolaram e o barco balançou para um lado e para o outro. Muitos peixes caíram no mar.

Os meninos, com muita força, conseguiram controlar as velas. Mas, a Névoa do Mar apareceu. Gigante. Ia do céu ao mar.

 

Os três ficaram com medo, e um gritava para o outro: mais força, mais força, mais força.

A Névoa se aproximava com rapidez, e já estava perto do barco, quando Pedro colocou alguns peixes no pequeno bote salva-vidas e os três saltaram no mar. Nadaram rápido para distanciarem-se da Névoa e com cuidado para não perderem os poucos peixes que restavam.

Quando olharam para trás, o barco havia sumido. E a Névoa do Mar também. O vento acalmou-se e os amigos voltaram para a aldeia navegando no bote.

No caminho, Pedro, triste, disse aos amigos que os peixes não eram suficientes para tirar a fome do povoado. João disse que todos poderiam comer um pouco. E Daniel disse que daria para diminuir a fome de cada um. Mas, isso não tranqüilizou Pedro.

Quando o barco aportou na aldeia, todos os moradores vieram saudar Pedro, João e Daniel. Ficaram felizes com os peixes trazidos, e mais ainda com a volta dos três meninos. Dividiram os peixes e todo o povoado comeu. A fome não passou, mas diminuiu.

Poucos dias depois, a chuva voltou. Molhou a terra. E a plantação cresceu.

Pedro e seus amigos alimentaram-se até ficarem satisfeitos.

Nem se lembravam que carambolas-maduras e kiwis-peludos eram tão saborosos.

E Pedro, agora, também gostava muito de peixe-frito-dourado-crocante.