Este blog começou através de uma oficina para escritores iniciantes, época em que postei principalmente comentários sobre política nacional. Atualmente, como participante de um curso de pós-graduação de Formação de Escritores, tornou-se um veículo de comunicação da minha experiência com as palavras, pensamentos e emoções. Publico textos literários de minha autoria, que às vezes, são enfeitados com minhas aquarelas. Traço alguns paralelos entre Arte e Psicanálise. Sejam bem-vindos e deixem seus comentários.

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    Desabafos e Reflexões

    Reflexões



     
     

    Lula e o povo

    O presidente Lula encaminhou ao Congresso o processo de aprovação para concessão de rádio FM à família de Renan Calheiros, líder do PMDB que apoia a manutenção de José Sarney na presidência da Casa.

    Há alguns meses, institutos de pesquisas apontaram que o presidente Lula tem 70% de aprovação do povo

    Se é verdade que Lula tem aprovação de 70% da população, também é verdade que o brasileiro - no mínimo - aceita imoralidades do governo. Na minha opinião, somos muito mais imorais e anti-éticos do que assumimos ser.



    Escrito por Claudia às 09h08
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    Tantos anos depois...

    E nada (ou quase) mudou. Durante o recesso, o Senado pagou R$ 6,2 milhões em horas extras. Deve ter sido o cafezinho servido aos fantasmas que habitam o Senado. A diferença em relação a exploração do Brasil pela Corte Portuguesa é que agora somos todos brasileiros.



    Escrito por Claudia às 09h03
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    Tanto holocausto no cinema...

    Tenho me perguntado por que tantos filmes sobre o holocausto estão em cartaz no cinema. Sem dúvida alguma, de um modo positivo, apresentando diferentes pontos de vista do que até então era usual, ampliando a antiga discussão que simplificava a questão colocando vítimas x culpados. Hoje, é possível pensar na complexidade da situação. Enfim, voltando ao meu questionamento, será que a retomada dessa questão se dá devido o conflito entre Israel e Palestina e os últimos discursos de tentativa de extermínio de um grupo específico de pessoas?



    Escrito por Claudia às 16h02
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    Conflitos por terras

    Com as novas disputas e tentativas de acordo entre Israel e Palestina, e minhas reflexões sobre justiça e culpa originadas pelo filme O Leitor (veja comentário no meu blog http://divadoescritor.blogspot.com), refleti também sobre nossa terra. Deveríamos, num ato moral - e justo, por que não - devolver essas terras aos índios? Acredito que seria justo com os descentendes de tantos índios mortos pelos invasores. Sim, eu devolveria a terra dos índios para os índios e voltaria para a minha terra. Minha terra? Que terra é a minha, se aqui nasci, sou sem-terra?



    Escrito por Claudia às 16h41
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    A morte de Eluana

    Eluana Englaro, a jovem italiana em coma há 17 anos, faleceu há alguns dias. Ela estava sendo mantida viva através de aparelhos e alimentação endovenosa. Mas, eu me perguntou: ela estava viva? Vale a pena viver 17 anos em coma. E se ela estivesse sentindo dores, mas não podia comunicar. E se ela pudesse pensar, sentir. Nada se pode afirmar sobre esses acontecimentos no estado de coma. Deixaram-na passar por 17 anos de possível sofrimento por que temos que manter as pessoas vivas a qualquer custo. Por que, egoisticamente, ninguém quer se responsabilizar por deixar a vida ter seu curso natural: a morte. Estamos todos brincando de Deus, impedindo que as pessoas morram. Tomara que não consigamos tornarmos eternos. 



    Escrito por Claudia às 17h26
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    Jovens inventam novas línguas

     

    A nova moda agora é inventar uma língua para falar, com suas próprias regras. Inspirados em autores que criaram outros idiomas para seus personagens, como o élfico do O Senhor dos Anéis, os jovens inventam uma nova língua para falar com seus amigos, ou apenas para si mesmos. Na minha época de inventar moda, a moda era a arcaica língua do P, mas todo mundo conhece a tal língua, então se a busca é de privacidade na comunicação, essa tal p-lín p-gua p-do p-P não ajuda muito. Lembro que, na busca dessa tão desejada privacidade, criei alguns códigos escritos apenas para mim mesma. Mas, quando eu queria compartilhar a informação precisava traduzir o código. Interessante que, na época em que surge o Acordo Ortográfico para unificar as diferenças, surjam também tentativas de novos dialetos. 



    Escrito por Claudia às 10h50
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    Por que estou tão chata?

     

    Acordo ortográfico 

    Perguntaram-me por que não apreciei o Acordo e aqui explico. O objetivo da aproximação da escrita dos países de Língua Portuguesa é importante para que documentos internacionais do mundo dos negócios e da terra das politicagens tenham menos empecilhos na redação. Até aqui, concordo. Agora, no que esse tal acordo, que altera 0,5% das palavras na sua grafia, irá beneficiar no objetivo proposto se 0,5% não se aproxima nem de londe da totalidade de diferenças existentes? E as diferenças semânticas que também podem comprometer o entendimento de um texto? Esse acordo não cumpre em nada ao que se propõe. Então, para que foi feito?

    Foi um erro? Então, quem cuidou do assunto não enxerga um palmo à frente do nariz. Tantos anos para realizar o Acordo e ninguém percebeu que não alcançaria seu objetivo. Foi uma enganação? Então, foi um acordo para rechear alguns bolsos de uma meia dúzia de calças, talvez cuecas. E todo o tempo e o dinheiro que foi gasto nesse Acordo? Fomos nós que pagamos. E não foi pouco. E ainda vamos pagar mais comprando novos dicionários, novas gramáticas, novos livros, participando de cursos. Tudo em nome do... do que mesmo?



    Escrito por Claudia às 16h32
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    Começa assim... e termina na realização da ficção científica

    Selecionado, bebê nasce na Inglaterra sem gene para câncer de mama

    da Folha Online

    O primeiro bebê britânico selecionado para não ter um gene relacionado ao câncer de mama nasceu em Londres, informou nesta sexta-feira (9) o hospital do University College. O embrião que deu origem à menina passou por um diagnóstico pré-implante, para evitar que a criança tivesse uma variação do gene BRCA1, que aumenta o risco de câncer de mama ou de ovário.

    Em junho do ano passado, a mãe, de 27 anos, decidiu recorrer à escolha genética após ver de perto o caso familiar. Três gerações de mulheres de sua família --entre elas sua avó, mãe, irmã e uma prima- tiveram o tumor diagnosticado. O marido também é portador do gene.

    O diretor da Unidade de Reprodução Assistida do hospital, Paul Serhal, que não informou a data do nascimento, disse hoje que "a menina não terá que enfrentar o risco desta carga genética do câncer de mama ou câncer de ovário quando for adulta". A identidade dos pais da criança não foi anunciada.

    Sem a intervenção da ciência, a menina teria entre 50% e 80% de probabilidades de desenvolver o tumor. Por isto, a equipe médica examinou diversos embriões e selecionou os que estavam livres deste gene.

    Cerca de mil bebês nasceram até agora se beneficiando deste método de seleção genética para eliminar a carga genética de outras doenças, como a fibrose cística ou a doença de Huntington.

    Esse tipo de procedimento está proibido na Alemanha, Áustria, Itália e Suíça. Em compensação, é autorizado na Bélgica, Dinamarca, Espanha e Reino Unido. Na França é permitido apenas para detectar uma doença genética incurável, como a miopatia ou mucoviscidose.

    Em 2006, o Reino Unido ampliou a possibilidade de recorrer ao diagnóstico, acrescentando a mutação genética BRCA 1.



    Escrito por Claudia às 17h51
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    E a Academia?

    Não é de se estranhar que no site da Academia Brasileira de Letras (http://www.academia.org.br) não há nem uma notinha sobre a reforma ortográfica?



    Escrito por Claudia às 15h20
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    Dúvidas sobre a reforma ortográfica

    07/01/2009 - 08h01

    Curitiba (PR) tem serviço telefônico para tirar dúvidas sobre reforma ortográfica

    DIMITRI DO VALLE
    da Agência Folha, em Curitiba

    A Prefeitura de Curitiba (PR) tem um número telefônico exclusivo para tirar dúvidas sobre a língua portuguesa. Inspirado em uma iniciativa feita pelo Arkansas (Estado norte-americano) e batizado de "Telegramática", o atendimento é feito em uma sala da prefeitura e conta com o revezamento de oito professores da rede municipal de ensino.

    Nos últimos meses, após a regulamentação da reforma ortográfica, o número de consultas cresceu significativamente, apesar de o serviço existir desde 1985.

    O atendimento é gratuito (o interessado paga apenas o custo da ligação e pode fazê-la de qualquer ponto do país) e ocorre de segunda a sexta, das 8h às 12h e das 14h às 18h, no número (41) 3218-2425.

    Os professores consultam sites especializados e têm o apoio de um acervo de cerca de 700 publicações, como os dicionários comuns (dois deles já atualizados com as mudanças) e específicos, voltados a profissões e disciplinas como sociologia e filosofia.

    A procura pelo serviço aumentou em média de 200 para 240 ligações por dia desde a regulamentação, em setembro, do acordo da reforma da língua portuguesa. Já na segunda-feira, a procura foi 80% superior.

    Beatriz Castro Cruz, coordenadora do Telegramática, diz que a maioria das consultas sobre a reforma é feita por representantes de editoras, professores e estudantes.

    Segundo Castro, a maior dúvida é relacionada ao emprego do hífen em palavras como "re-educar". A Folha testou o serviço tentando tirar dúvidas sobre como ficou a grafia de "anti-inflamatório", por exemplo. O emprego do hífen, segundo a atendente que conversou com a reportagem, é feito neste caso por causa do encontro de duas vogais, conforme a nova regra ortográfica.

    Em casos ainda polêmicos, os professores pedem que se aguarde a publicação da nova edição do VOLP (Vocabulário da Língua Portuguesa), feita pela ABL (Academia Brasileira de Letras). O Telegramática, segundo a coordenadora, também constatou que a extinção do trema foi assimilada pelo público, já que nenhuma ligação neste sentido foi registrada pelos professores.

    http://www1.folha.uol.com.br/folha/educacao/ult305u487014.shtml



    Escrito por Claudia às 11h35
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    Uma palavra a favor para não ser do contra

     

    Um novo jeito de escrever

    Acordo vem para unificar a ortografia oficial dos países de língua portuguesa e aproximar nações

    Mariana Sgarioni

    "A adopção de uma única ortografia entre países de língua portuguesa pode ser óptima." Se este texto fosse escrito em Portugal, a frase anterior estaria corretíssima. Já no Brasil, a letra p (nas palavras adopção e óptima) está sobrando e parece um erro de digitação - apesar de todos sabermos que se trata do mesmo idioma. Do ponto de vista da ortografia, existem diferenças bastante relevantes na língua portuguesa. E não apenas entre os dois países. Nas outras seis nações que falam e escrevem o português (Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste) ocorre o mesmo.

    Para acabar com essas diferenças, foi criado, em 1990, um acordo ortográfico - que deve vigorar no Brasil a partir do ano que vem (saiba mais sobre os próximos passos da implementação do acordo no quadro da página 7). "A existência de duas grafias oficiais acarreta problemas na redação de documentos em tratados internacionais e na publicação de obras de interesse público", defendia o filólogo Antônio Houaiss, o principal responsável pelo processo de unificação aqui no Brasil.

    Originalmente, o combinado era que todos os membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) deveriam ratificar o acordo para que ele tivesse valor. Em 2004, porém, os chefes de Estado da CPLP decidiram que bastava a aprovação de três nações para a reforma ortográfica entrar em vigor. O Brasil, no entanto, definiu que mudaria o jeito de escrever somente se Portugal também o fizesse (e o "sim" de Lisboa às novas normas só veio no ano passado). É importante ressaltar que a pronúncia, o vocabulário e a sintaxe permanecem exatamente como estão. A novidade é a unificação da grafia de algumas palavras.

    Língua internacional

    Daqui para a frente, a língua portuguesa (comum aos países lusófonos) tem tudo para ganhar espaço - até mesmo em fóruns internacionais -, pois o intercâmbio de informações e textos ficará mais fácil. Unificar a grafia também visa aproximar as oito nações da CPLP, reduzir custos de produção e adaptação de livros e facilitar a difusão bibliográfica de novas tecnologias, bem como simplificar algumas regras (que suscitam dúvidas até entre especialistas).

    Do ponto de vista prático, ganha força o idioma falado no Brasil. Isso porque os portugueses terão de promover mais mudanças na escrita do que nós, adaptando várias palavras à grafia brasileira. Por exemplo, acção passa a ser ação. E cai também o h inicial de herva e húmido.

    O português é a única língua com dois cânones oficiais ortográficos, um europeu e outro brasileiro, e isso não só dificulta nossa vida lá fora como também a dos estrangeiros que querem aprendê-lo. "Inscreve-se, finalmente, a língua portuguesa no rol daquelas que conseguiram beneficiar-se há mais tempo da unificação de seu sistema de grafar, numa demonstração de consciência da política do idioma e de maturidade na defesa, na difusão e na ilustração da língua da lusofonia", afirma Cícero Sandroni, presidente da Academia Brasileira de Letras (ABL).

    Além da unificação da grafia, o acordo propõe simplificar o idioma, no mesmo espírito do que ocorreu na década de 1910, quando uma reforma semelhante alterou o modo de escrever palavras como pharmacia e christallino (para farmácia e cristalino, sem o ph, o ch e o ll). Na época, porém, as mudanças foram encabeçadas por Portugal, que não consultou o Brasil e acabou aprofundando algumas diferenças ortográficas.

    O acordo prevê simplificações (como o fim do trema), mas tem inúmeros pontos obscuros, que só serão esclarecidos com o lançamento de gramáticas atualizadas e um novo Vocabulário Ortográfico oficial (tarefa a cargo da Academia Brasileira de Letras). O professor Pasquale Cipro Neto é um dos que se manifestaram contra o documento. "Ele não se limita a uniformizar a grafia: estabelece outras alterações no sistema ortográfico, várias delas para pior."

    Tempo de adaptação

    Aqui no Brasil, a última grande reforma do idioma foi realizada em 1971, a fim de aproximar mais nosso jeito de escrever do de Portugal. Desde então foi abolido o acento diferencial em alguns vocábulos, bem como o acento grave ou circunflexo nas palavras derivadas de outras acentuadas - mais de dois terços dos acentos que causavam divergências foram suprimidos. Nessa mesma época os substantivos acôrdo e govêrno viraram acordo e governo (perderam o circunflexo que os diferenciava das formas verbais eu acordo e eu governo, que eram e continuam sendo pronunciadas de forma diferente). Outras palavras, como somente, propriamente, rapidamente, cortesmente, sozinho, cafezinho e cafezal, também deixaram de ser acentuadas. Naquela ocasião, muitas pessoas estranharam a alteração (sem falar que diversos materiais impressos, como livros, levaram um bom tempo até ter novas edições com o jeito certo de escrever). Até hoje, aliás, ainda há quem escreva êle, com o circunflexo extinto no início dos anos 1970.

    Nas páginas deste especial, você vai conhecer (de forma simplificada) as mudanças trazidas pelo acordo, com exemplos de grafias atuais e de como vamos passar a escrever. São regras bastante fáceis, mas que precisam ser bem compreendidas para ser usadas corretamente em textos produzidos no papel ou na tela do computador. Guarde este manual e consulte-o sempre que necessário.

    http://revistaescola.abril.com.br/edicoes/Esp_021/aberto/novo-jeito-escrever-306810.shtml



    Escrito por Claudia às 17h44
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    De novo... nova ortografia

    A escritora Inês Pedrosa, vencedora do prêmio Máxima de Literatura, afirmou que não vai adotar as novas regras do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa em seus livros. Leia a entrevista concedida a Márcio Pinho, e publicada na edição deste domingo da Folha.

     

    DA REPORTAGEM LOCAL

    O novo sistema ortográfico é considerado "um acordo em desacordo" pela escritora portuguesa Inês Pedrosa, que promete continuar seguindo a antiga regra em seus livros. Nascida em Coimbra em 1962, Pedrosa venceu o prêmio Máxima de Literatura, dado em Portugal, com o livro "Nas Tuas Mãos". Ela já foi também diretora da versão portuguesa da revista "Marie Claire". (MÁRCIO PINHO)

     

     

     

    FOLHA - A sra. é contra ou a favor do Acordo?
    INÊS PEDROSA -
    Sou contra, porque, para começar, o Acordo é um produto falso, um produto pirata. Na verdade, ele não estabelece um acordo. Significa, então, jogar livros fora. O Acordo Ortográfico uniformiza umas coisas, mas altera outras. Vamos supor que ele significasse a unificação gráfica do português. Tampouco sou a favor, mas isso poderia ter um interesse pedagógico. Se por um lado poderia criar um monopólio na edição, poderia gerar manuais escolares comuns, o que seria uma vantagem.

    FOLHA - Por que não considera o novo sistema um Acordo?
    INÊS -
    Porque ele cria muita confusão, é inútil e prejudicial. É um acordo em desacordo. O hífen, por exemplo, gera confusão. Além disso, muita coisa é definida de acordo com a pronúncia, e palavras que hoje têm determinadas letras internas, como "concepção", no Brasil, não deixarão de ser escritas e faladas assim para usar a nova versão portuguesa, que muda de acordo com a pronúncia, desuniformizando-se, passando a escrever "conceção". O trema, por exemplo, que Portugal já não usava, acredito que faz falta. Como vamos explicar a quem aprende a língua que certos "us" se pronunciam? A palavra "sequestro", por exemplo: em Portugal pronuncia-se muitas vezes, erradamente, como "sekestro", sem "u".

    FOLHA - O que acha da mobilização em torno ao Acordo? PEDROSA - Gostaria que todo o dinheiro gasto em encontros, viagens e reuniões para se debater o Acordo tivesse sido investido em iniciativas para promover uma ponte cultural entre os países de língua portuguesa. As iniciativas são raras.

    FOLHA - Como os portugueses veem e se preparam para o Acordo?
    PEDROSA -
    Ainda não vi nenhum jornal anunciar que irá adotá-lo a partir de janeiro. Há portugueses entretidos em contar quantas adaptações terão de fazer em relação aos brasileiros. Mudam principalmente as palavras com determinadas consoantes internas. Mas vejo essa guerrinha de quem deve liderar as discussões do idioma português inútil. Não vejo problema de o Brasil, um país com quase 200 milhões de pessoas, liderar as discussões [Portugal tem cerca de 10 milhões]. Acredito que as diferenças hoje estão entre o Brasil e os outros países, que têm um idioma mais semelhante ao de Portugal, pois foram colônias até mais recentemente.

    http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff0401200914.htm



    Escrito por Claudia às 11h49
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    Nova ortografia - uma reflexão

    Finalmente encontrei alguma reflexão sobre o novo Acordo. Um texto do Ivan Lessa, publicado na BBCBrasil.com.

    02 de janeiro, 2009 - 09h19 GMT (07h19 Brasília)

    Ivan Lessa
    Colunista da BBC Brasil

    Nova ortografia, velhos dizeres

    É oficial: entrou em vigor a nova ortografia. Quer dizer: mais ou menos em vigor.

    É a única do mundo legislada. Os brasileiros temos pouca intimidade com as vigorações. Há sempre um amanhã, um depois de amanhã e, graças a Deus, um Dia de São Nunca, as calendas (ver dizeres populares em extinção).

    Depois de anos caitituando Angola, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde, Guiné-Bissau (olha o hífen!), Moçambique e Timor-Leste (eu disse que é pra olhar o hífen!), para não falar em Portugal, que andou pisando na bola (ver dizeres em extinção), o Brasil finalmente, mediante quatro decretos promulgados, assinados por presidente da república, conseguiu fazer com que uns bons 250 milhões de pessoas escrevam de forma idêntica.

    Quer dizer: mais ou menos idêntica. Primeiro, porque dessas 250 milhões de pessoas apenas uns 15% são vagamente alfabetizadas. Desses 15%, pelo menos 10% é de nacionalidade portuguesa.

    Mas que 15%! É para elas que se legislou. Quer dizer: mais ou menos se legislou. Há dúvidas e indecisões em massa. Principalmente nos meios alfabetizados, por assim dizer.

    Porque o hífen isso e o trema aquilo e o acento agudo esse e o circunflexo aquele e pororó, pão duro coisa e tal (ver dizeres populares em extinção).

    De certo, sabe-se uma coisa: o decreto-lei para os hífens e seu uso,
    que entrou em vigor no primeiro dia de janeiro de 2009, tem até 2012, ou 2021, talvez até 3033, para ser adotado à vera (ver dizeres em extinção) entre a chamada CPLP, a digníssima Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, ou os Oito Magníficos Países de Ouro, como são conhecidos nos meios lexicográficos mundiais.

    De garantido, pode-se afirmar que essa nova ortografia (quer dizer: mais ou menos um acordo, ou um decreto, ou uma lei) vai dar um dinheirão e muita gente boa vai pegar uma nota preta e sair pela aí (ver dizeres públicos em extinção), pelos países da doce língua de Camões e Paulo Coelho, montada na burra do dinheiro.

    Em memória do trema brasileiro, já que o de Portugal já fôra (fora?) para a cucuia (ver dizeres públicos em extinção) em 1946, e dos hífens indefinidos (ou será agora in-definidos?), segue-se uma mini-compilação (minicompilação?), em forma de diálogo brecht-ionesquiano, com as devidas - e agora mais longas que nunca - pausas pinterianas (conheceram, papudos? Ver etc e tal) de dizeres, gírias e locuções extintos ou luis carlos prestes a se extinguir.

    E nem foi preciso decreto-lei (decreto lei?) para por um fim a essa mamata ou boca rica do falar popular.

    .....

    - Então, como é que vai essa bizarria? Sempre montado na burra do dinheiro?

    - Nada, em matéria de nota preta, eu tô matando cachorro a grito.

    - Sempre pensando na morte da bezerra, hem?

    - Eu só tô afim de entrar numa boa.

    - Com essa camisa pra fora da calça vendendo farinha?

    - Farinha do mesmo saco, que, diga-se, não me parece lá muito católica.

    - Então vai chutar os tinflas, pô!

    - Você quer dizer chutar os xongas. Tá no ré ou não?

    - Nunquinhas, meu boneco, neris de pitibiriba. E do jeito que as coisas vão, esse treco vai ser um Deus nos acuda na hora do péga pra capar. Vai todo mundo acabar ganhando aquilo que Luzia ganhou na horta.

    - Deu zebra. Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come.

    - Então é só você se fechar em copas e ficar aí paradão como um dois de paus.

    - Só que comendo o pão que o diabo amassou.

    - Só uma coisinha, pra encerrar. Você viu o Lino?

    - Eu, não. Você viu o Lão?

    .....

    No que ficam os dois repugnantes interlocutores enquadrados na alínea 23 do parágrafo 7 do artigo de lei que regulamenta o novo acordo ortográfico e, simultaneamente, delinea o futuro ato institucional que deverá reger o emprego, mesmo em conversa de botequim, de dizeres, locuções e gírias em desuso, que, por falar nisso, só poderá ser referido como datado.

    http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2009/01/090102_ivanlessa.shtml



    Escrito por Claudia às 20h02
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    Segundo dia - dia de nova ortografia

     

    Veja bem, não vá pronunciar cinqenta (ou cinkenta). O trema saiu, mas a pronúncia continua igual: cincoenta (tal qual em 1269), ou mais coloquial, cincuenta.

    O que ainda não entendi é a razão da mudança. Dizem os especialistas que procuram unificar a escrita da Língua Portuguesa para que qualquer texto produzido em qualquer país do Acordo seja lido no original. Não vejo no que a ausência do trema irá ajudar na busca desse objetivo.

    Outra coisa que não entendi. Quando eu ler um texto em Português de Portugal e houver uma frase assim: "quero um garoto claro bem quente", devo entender que é um rapaz branco fogoso ou café com leite claro? Haverá uma nota de rodapé explicando as diferenças de cada termo em cada país?

    Preciso de uma explicação mais plausível para tamanha chateação que será aprender a nova ortografia.

    Ah! Nem me dei ao trabalho de revisar esse texto pensando no Acordo.



    Escrito por Claudia às 17h15
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    E na virada é hora de...

    acertar os relógios. Todo o  mundo deverá adiantar o relógio em 1 segundo. Será que o Universo não é tão organizado? Ou então, a Matemática não é tão exata?

    http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u484071.shtml



    Escrito por Claudia às 08h13
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